Acabo de saber que uma antiga colega de liceu morreu... Mais exactamente, suicidou-se.
Há 8 ou 9 anos atrás, era feliz, popular, bem resolvida, bonita, cobiçada.
Era do grupo que todos conheciam. Que todos queriam chamar namorada, que todas queriam ser iguais.
Um grupo a anos luz do meu. Uma pessoa a galáxias de distância da que eu era. Da que eu sou.
O que se passou nestes anos que mudou tudo é uma pergunta que provavelmente vai ficar por responder.
Foi um balde de água fria e uma "wake up call".
Não sou quem era aos 15 anos. Nem aos 17, quando achei que a vida era um poço sem fim, negro, frio.
Um poço que não valia a pena escalar. Que não fazia sentido.
Aos 17 anos achei que não havia mais razões para lutar.
O poço era fundo demais para o meu tamanho.
Dessa época, não restou muito de mim, excepto o melhor: quem esteve comigo.
Ainda hoje continua. Firme e forte.
Nos bons e nos maus momentos.
Foi quem me tirou do poço, quem atirou a corda e a escada. Quando nada disso chegou, desceu e trouxe-me pela mão.
Foi quem me tirou dum buraco muito negro. Foi quem me mostrou uma luz, ainda que fraca.
Quem me fez sentir que valia a pena. Que eu valia a pena. Quem ainda me relembra disso nos piores momentos.
Foi quem me salvou.
Ao que eu era, à minha sanidade, à minha vontade de viver, à minha alegria e, depois de tudo, salvou-me a vida, no sentido mais directo da expressão.
E acho que até hoje não lhe disse isto cara a cara, coração a coração, num abraço sentido e apertado.
Foi quem segurou a minha mão e não me deixou, nunca mais cair.
Nem nesse poço nem nos outros buracos do caminho.
E nunca lhe agradeci como devia...
Hoje, revi-me noutra pessoa. Ela podia ter sido eu, há muitos anos.
Naquela altura, podia ter sido eu. Podia ter optado pela via (mais fácil?) mais rápida de terminar com a dor.
Sei que se o tivesse feito, ia haver uma multidão de flores, dezenas de caras que me "conheciam" e nada sabiam sobre mim. Sei hoje, que poucas seriam as que realmente estavam a sofrer, a sentir, a perguntar-se.
Sei perfeitamente quem seria uma delas. Quem, provavelmente, carregaria os porquês e as culpas que não tinham resposta e não lhe pertencia.
Hoje, foi uma estalada com força.
Valeu a pena sair do poço fundo e escuro.
Aprendi a não ter medo. A lutar. A manter a cabeça à tona.
Principalmente, aprendi quem tenho ao meu lado, quando o buraco se abre mais do que aguento.
E agradeço mais uma vez (talvez a primeira) a quem me tirou de lá e até hoje, não me deixa só.
Obrigada, minha irmã, por seres a mão estendida e a luz no escuro.
Obrigada, por teres ficado.
Obrigada, por ter para sempre uma dívida contigo.
Por te dever a minha vida...
Do que aprendi no liceu, a lição mais importante aprendi-a no corredor: não quero ser popular, conhecida e linda, quero apenas ter-te ao meu lado. No corredor do liceu, nas festas de anos, nos Natais, nos casamentos, nos baptizados... No passado, no presente e no futuro.
Obrigada...
Sem comentários:
Enviar um comentário