Era nestes fins de semana que brincávamos às casinhas...
Que passávamos as manhãs na cama, a ganhar coragem para levantar.
Que fazias panquecas, altas e fofas, e eu achava que não havia nada mais bonito que tu, a bateres a massa, em tronco nú e avental.
Sentava-me no balcão da cozinha e roubava a fruta das panquecas e tu ralhavas-me e rias-te.
E eu sentia-me a viver uma novela, um anúncio de manteiga, um sonho qualquer.
Era meio dia quando tomávamos o pequeno-almoço no chão da sala.
O tabuleiro à nossa frente, o gato a saltar-nos nos pés.
Era no chão que víamos as horas arrastar-se, num "só mais 5minutos" que durava uma tarde.
Ou uma vida.
Saíamos para jantar, com aquele ar de desalinho culpado, na certeza de que quem nos visse percebia.
Víamos a lua crescer, adivinhávamos estrelas e voltávamos para casa a tempo de mais um episódio, de mais um filme, de mais um petisco...
Era nestes fins de semana que o mundo girava mais devagar, que nos esquecíamos de tudo, que os telemóveis ficavam largados por aí...
E agora eu sinto um vazio... de risos, de panquecas, de manhãs longas e tardes preguiçosas.
Um vazio de ti...
Vazios.. Quem os preenche?
ResponderEliminarAprendi que vazios nunca são totalmente preenchidos, mas que um vazio é sempre um lugar para algo de bom que está por vir.
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