Maio é o mês de todas as emoções.
Maio é o mês que se pinta de muitas cores.
Maio já foi o mês em que se começavam a avistar as férias grandes ao longe.
Maio já foi o mês de aniversários de quem eu mais amava.
Maio já foi o mês da perda e da dor.
Maio já foi o mês do recomeço.
Maio já foi o mês da tribuna, do traje.
Maio já foi negro, já foi cinzento e amarelo, já foi preto e branco.
Maio será sempre Maio.
O mês em que estou sensível. O mês em que olho menos vezes para o calendário.
O mês em que quero esquecer os dias, as datas.
O mês em que cada dia, cada data está gravada na minha memória.
Este ano, Maio é mais uma vez, mês de mudança.
Nem eu sei bem se para melhor se para pior... De mudança.
Maio rima sempre com mudança.
Com retrospectiva. Com nostalgia. Com recordação. Com saudade.
Muitos são os dias de Maio gravados a ferro e fogo na minha memória.
Hoje é o primeiro deles.
O dia 1.
O primeiro.
Há 4 anos, este dia sabia-me a último.
Há 4 anos, este dia marcava-me a mudança com uma força que parecia marcar-me a carne.
Há 4 anos, neste dia, chorei.
Chorei pelo que vivi, chorei pelo que vinha, chorei pelo desconhecido, chorei pelo que conhecia.
Há 4 anos, chorei. Chorei a saudade que poderia vir a ter. Chorei tudo o que aprendi. Chorei o que poderia perder. Chorei o que queria tanto guardar.
Há 4 anos chorei.
E passavam poucos minutos da meia-noite e um.
Poucos e pareciam tantos. Poucos e pareciam uma vida.
Passavam poucos minutos e até hoje não sei quantos.
Sei que olhei para cima e vi duas estrelas junto à lua.
Sei que acreditem que brilhavam para mim.
Sei que olhei para o lado e vi um mar de gente. De gente que sem me dizer nada em particular, me dizia tudo. Gente que era a minha gente, nem que fosse por mais uns dias. Gente que suou o mesmo suor, chorou as mesmas lágrimas, gritou os mesmos gritos. Gente que era um só naquele momento.
Sei que olhei para baixo e pensei em toda a gente que queria ali ao meu lado e não podia estar. Porque a distância mais longa às vezes é a que fica mais perto.
Sei que olhei em frente e te vi a ti. Sei que não foi ali que tudo começou. (Agora) sei que não foi ali que terminou.
Passavam poucos minutos da meia-noite e senti a força com que me traçaste a capa. A certeza com que me embrulhaste, como se me escudasses de tudo o resto, de tudo o que me magoava.
Passavam poucos minutos e abraçaste-me e o tempo parou durante uns minutos. Não sei quantos. Sei que por um momento, fomos só tu e eu naquele mar de gente. E senti-me acarinhada. E protegida. E como se tudo fosse ficar bem.
Sei que aquelas palavras se cravaram na minha memória. Sei que jurei baixinho que ia fazer com que valesse a pena manteres a tua promessa.
Sei que era Maio e dia 1 e pouco passava da meia-noite. Sei que nesse dia, Maio se tornou novamente um mês bonito. Sei que nesse dia, mais uma pessoa se juntou à minha galeria de amores de Maio.
Sei que me sinto outra vez caloira e pequenina e mais uma num mar de gente. Até me abraçares e me aqueceres o coração por dentro. E tantas vezes, foi esse abraço que me preencheu o vazio que eu era.
Sei que era Maio e dia 1 e pouco passava da meia-noite e tudo mudou e foi o 1º dia do resto da minha vida.
Sei que se passaram 4 anos.
Não sei muito mais, não sei o que aí vem.
Sei que era Maio e dia 1 e pouco passava da meia-noite e sei que fiz a melhor escolha. E sei que te adoro. E sei que não vou esquecer este dia.
Sei que era Maio e dia 1 e pouco passava da meia-noite e sei que és das pessoas mais importantes da minha vida. Até hoje. Mesmo 4 anos e tantas vidas depois.
Sei que era Maio e dia 1 e pouco passava da meia-noite e sei que hoje estás, estamos de Parabéns.
Parabéns Madrinha. E obrigada...

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