sexta-feira, 4 de abril de 2014

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Um tinha olhos cor de mar-de-tempestade. O outro tem olhos cor de mar-de-praia-de-areia-branca.
Um sorria com o canto da boca, assim meio sorriso. O outro ri de orelha a orelha, gargalhada solta, riso desbocado.
Um chegou com a força da juventude. O outro com a calma da entrada na maturidade.
Um acompanhou os anos da parvoeira, a idade do disparate, das hormonas. O outro trouxe o sossego, a calma, o pensar duas vezes.
Um ensinou-me a amar, a dizer gosto de ti, a olhar fundo nos olhos. O outro ensinou-me que se pode amar mais que à própria vida, dizer amo-te de boca cheia, a ver com todos os sentidos.
Um era noite de tempestade, dia de trovoada. O outro é noite de sono, tarde de aconchego.
Com um, eram discussões de novela, de berros e gritos, de louça no chão. Com outro, são argumentos calmos, vozes baixas, joelhos no chão para falarmos ao mesmo nível.
Um ensinou-me a acordar ao lado de alguém. O outro, a adormecer alguém.
Um era confusão de lençóis e cobertores. Outro é saltos no colchão.
Um ensinou-me a gostar de mim. O outro gosta de mim como sou.
Dois homens na minha vida.
Dois mares inesquecíveis que me ensinaram a navegar.
Em comum, o nome, o jeito, o amor imenso que sinto por eles, a marca que deixarão para sempre na minha vida.
Em comum os olhos cor de mar...

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