quarta-feira, 24 de julho de 2013

Final...

E pronto... Todos estes anos de esforço, de dedicação, de suor, lágrimas e desespero terminaram.
E hoje, com o ponto final colocado, a nota final afixada, os livros fechados e os apontamentos arrumados, olho para trás.
Olho e neste momento não vejo o curso que acabei, a profissão que ainda cheira a novo, a bata branca e a plaquinha com o nome. Não vejo o currículo que agora começa ou o emprego que (espero) está a caminho.
Vejo o que aprendi fora das salas de aula, dos laboratórios, dos hospitais.
Não vejo amostras, bactérias, lamelas, luvas.
Vejo o que de melhor levo destes anos.
Aquilo que levo só comigo, que não partilho com ninguém.
Não precisei de notas nem currículos para o conseguir. Mas cada dia que passa, espero passar no exame. Mais uma vez, mais um dia, mais umas horas.
Hoje, conquistei o título de Técnica, mas a verdade é que o melhor título que esta faculdade me deu foi o de afilhada e amiga.
E esse é meu e ninguém mo tira.
É esse que eu quero guardar, mesmo que não aparece em papelinho nenhum.
Hoje, sinto o calor dos abraços apertados nos piores e nos melhores momentos, o cheiro que fica desses abraços, que me faz sentir em casa. Sinto o sorriso de orgulho, sinto que esta vitória é celebrada a duas vozes.
Sem ti nunca teria chegado até ti.
Provavelmente, não te lembras, mas guardo para sempre o que vi nos teus olhos naquele primeiro jantar, quando te disse que pensava desistir, ir embora. O pedido silencioso para que ficasse.
Doeu tanto, doeu tanto que nem imaginas.
Lembro-me das lágrimas naquela Serenata. Foi um momento agridoce. A emoção de ter chegado ao fim daquele ano e a tristeza de pensar que podia ser o último.
Fiquei. A vida, o destino, a sorte, sei lá eu o que foi, encarregou-se de me dizer que estava onde pertencia. Na altura, tive muitas dúvidas, como tive no momento em que soube onde tinha ficado colocada.
Hoje, sei que fiquei onde devia ficar. Que tudo acontece por uma razão. Que os caminhos se cruzaram, entortaram, confundiram. Que me perdi muitas vezes. Para hoje, saber que me encontrei.
Hoje, quando anunciei o fim da caminhada, veio a pergunta sacramental "Então? E não estás triste por não ter ido para Medicina??". E hoje, pela primeira vez na vida, respondi com todas as certezas, sem aquela amargura, sem dor ou sentimento de derrota "NÃO!".
Porque Medicina era um caminho longe demais de ti. Porque tudo correu como devia ter corrido.Porque tudo está bem quando acaba bem.
Porque sei que me espera um abraço sincero e apertado de parabéns. Parabéns que deviam ser teus também. Por todo o apoio, toda a força, toda a ajuda, todos os apontamentos, os incentivos, as vezes que me mandaste deixar de tretas.
Sem ti, sei que nunca teria terminado. Sei que pelo meio tinha baixado os braços e desistido.
Hoje, sei que tudo valeu a pena.
E que só posso ser imensamente grata por um dia, naquela entrada, atrás daquela mesa, me teres feito tua afilhada. E me teres dado o melhor que este curso tinha para me dar: a tua Amizade.
(Fico a dever-te a cozinha!!!E o salpicão!)
E que este não seja, de modo algum, o fim...

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