quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mesmo sabendo

Mesmo sabendo que és um erro, gosto de ti.
Gosto de ti desse jeito errado, sem nada de certo, sem nada de perfeito.
Gosto de ti porque erras e erras como eu erro e olhas para mim como se eu fosse certa.
Gosto como me olhas no fundo dos olhos e me lês até à alma. Até a um ponto da alma que nem sabia de ti.
Gosto dos teus olhos cheios de desejo, de querer, de querer muito, de bem-querer, de me querer.
Gosto de me ver nesse espelho todo verde-mel, azul-cinzento, nessa cor indefinida que é o fundo dos teus olhos.
Gosto de olhar nesse espelho e me ver linda, tão linda como vês.
Gosto que me olhes e me queiras quando nem eu mesma me quero, quando ninguém me quer.
Gosto de me esconder no teu peito e chorar tudo o que me dói, até aquilo que nem sabia que doía.
Gosto que me abraces com força, de sentir o teu cheiro, o teu corpo, o teu ser... Todo homem, todo poder, todo meu, toda tua, todo tu...
Gosto de saber que és errado, proibido, proibitivo, que não devo.
Não devo mas quero, oh! como quero... Como te quero.
Gosto de estender os dedos e ter-te ali, à distância da minha mão aberta.
Gosto de te ver dormir, com esse cabelo rebelde pela almofada, a tua mão no meu corpo, a protecção do teu braço na minha cintura.
Gosto que afastes os meus pesadelos, as minhas noites más, os meus medos todos.
Gosto de sentir a tua barba mal-feita no pescoço, dos teus beijos na minha nuca, dos arrepios pelo corpo todo quando o fazes.
Gosto de esperar por ti, com borboletas no estômago e um sorriso nos lábios, uma hora antes e já estou feliz por te esperar.
Gosto desse fogo, desse gelo, desse todo tu que me trazes.
De me virares a vida de cabeça para baixo, de me arrancares lágrimas, sorrisos, gritos, gargalhadas. De me deixares a queimar em fogo.
Gosto de ti...E isso faz-me um bem que é tão mau...

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